Professores no Ensino Médio: o que muda para os profissionais com as alterações no segmento

setembro 10, 2021 | Publicado por Helcio Neto.

 

Os professores do Ensino Médio vivem inúmeros desafios, como a convivência com adolescentes, que nem sempre é fácil; o trabalho com conteúdos, ainda mais densos; e a preparação para o Enem. Com as novas mudanças propostas para o segmento, outros obstáculos surgiram.


O Ministério da Educação apresentou, recentemente, novas orientações para os educadores que atuam nos últimos anos da Educação Básica. Se as escolas têm feito esforços para se adaptar, os profissionais da linha de frente também se desdobram para a implementação dessas alterações.


São muitas as perguntas, a respeito das inovações destinadas às turmas, entre os professores. A principal é o que muda na carreira docente. Nada melhor do que ouvir quem trabalha na área: o especialista Maurício Parada vai tirar algumas dúvidas sobre esse assunto a seguir.


Maurício é professor de História, com formação acadêmica na área. É doutor em História Social pela UFRJ, mestre em História Social da Cultura pela PUC-Rio e, atualmente, também é professor nesta instituição privada. Além disso, é autor de livros didáticos para o Ensino Médio.


Boa leitura!


Mudanças recentes no Ensino Médio


A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi um marco: pela primeira vez, foram estabelecidos parâmetros, que atravessam o ciclo da Educação Básica completo, para todo o Brasil. Essas orientações, obviamente, também se direcionam aos últimos anos da vida escolar.


Especificamente para o segmento, o governo federal também apresentou para as escolas o Novo Ensino Médio. O conjunto de mudanças é amplo: o documento prevê novidades para a grade curricular, para a carga horária e para a abordagem das aulas.  


Maurício não nega que o novo cenário pode despertar apreensão no corpo docente, mas enxerga uma grande vantagem: “O momento oferece uma oportunidade interessante, que é trazer a autonomia para os alunos, dar uma certa autoria para o estudante diante do conhecimento”.


Qual deve ser a formação para atuar nesse segmento?


Os interessados em dar aula para estudantes do Ensino Médio precisam concluir curso superior na área do conhecimento na qual têm a intenção de trabalhar. No entanto, não basta o diploma de bacharel para lecionar para as turmas do segmento: é necessário terminar a licenciatura.


As indicações do Ministério da Educação reforçam que, em um futuro próximo, não haverá mais exceções com relação a isso. Maurício afirma que as novas orientações apontam também para a interdisciplinaridade. Ou seja, não vai ser suficiente dominar apenas uma área do conhecimento.


“Uma das experiências mais interessantes é o fato de que nós agora temos que conversar mais com colegas de outras áreas. Acredito que, com isso, muitos professores também tenham tido mais curiosidade por saber mais sobre Geografia, ter mais mais conhecimento a respeito da Filosofia…”


Quanto ganha um professor de Ensino Médio?


Embora haja um piso salarial, a remuneração dos professores do Ensino Médio varia muito. Isso tem relação com o setor em que cada profissional trabalha: servidores públicos lidam com uma realidade diferente da que é vivenciada pelos educadores da rede particular. 


Outras variáveis são a questão geográfica e o ambiente socioeconômico em que a escola está inserida. A BNCC e o Novo Ensino Médio não apresentam medidas mais diretas para a melhoria dos salários, mas se concentram nos conteúdos trabalhados nas aulas.


Em meio a tantas incertezas, Maurício Parada reconhece que a situação atual deve ser encarada de frente pelo corpo docente. “Como professores, não podemos deixar de ver essas mudanças como desafios. Isso, é lógico, não deixa de nos preocupar”, reconhece o professor.


Quatro dicas para professores do Ensino Médio


O horizonte é desafiador. No entanto, existe uma série de atitudes que podem tornar o Ensino Médio uma área de grandes oportunidades para os professores. Além disso, é possível potencializar o processo de aprendizagem dos alunos ao longo dos três anos desse segmento.


Confira quatro sugestões abaixo!


Desperte o interesse dos alunos


Maurício alerta que, com a possibilidade de os alunos montarem parte de sua grade curricular com os itinerários formativos, os professores devem ficar mais atentos aos interesses das turmas. Isso também não quer dizer que as aptidões serão sempre as mesmas, como reitera o professor: 


“A ideia é também que os alunos circulem, ao longo do seu período de formação, por caminhos diferentes. Então, eu não vejo como algo complicado a mudança de interesses ao longo da vida escolar. É, acima de tudo, interessante.”


Exercite a resiliência no dia a dia


Assim como os estudantes vão precisar se adaptar, os professores também necessitam de muita resiliência ao longo desse processo. Até as escolas se acostumarem com as novas demandas, é preciso que toda a comunidade escolar esteja disposta a cooperar. 


Maurício sugere que os educadores exercitem a interdisciplinaridade e tenham ainda mais interesse em colaborar: “É estimulante mudar de interesses. Inclusive para nossa formação como professores. É importante a gente se movimentar, trocar de campo. Olhar para os lados e procurar alternativas”. 


Se for necessário, mude de rota


Maurício destaca que, ao elaborar o conteúdo didático para o Novo Ensino Médio, foi necessário fazer correções de rota. O professor teve que compreender as Ciências Humanas como um todo, de forma mais ampla. Essa experiência serve de conselho para o corpo docente durante a adaptação.


“Nós mudamos e os alunos também vão poder mudar. Essa avaliação pode ser construída de maneira positiva, e não como algo ruim. Essa variedade deve ser estimulada. Enquanto isso deve ser evitada qualquer tendência a transformar os estudantes em especialistas em áreas determinadas.”


Invista em conteúdos didáticos mais flexíveis


Com relação aos itinerários formativos, por exemplo, as escolas podem fazer alterações dentro do ano letivo. O livro físico, contudo, impede correções de rota por definir uma sequência padronizada. É nessas horas que as soluções digitais voltadas para a Educação Básica se tornam aliadas.


Plataformas para conteúdo didático permitem essas adaptações. “O grande desafio foi fazer essas alterações sem diminuir a qualidade. O conteúdo didático é mais flexível, mas a atenção especial com a parte conceitual e com o rigor continua”, garante Maurício.  


A missão dos professores é de fundamental importância para sociedade: ajudar a formar novos cidadãos. Embora os desafios não sejam pequenos, os resultados de tanto empenho são gratificantes. Principalmente em um segmento tão central quanto o Ensino Médio.


Entenda como plataformas digitais de conteúdo didático podem ajudar a sua escola


O Blog da Essia preparou um artigo sobre plataformas digitais de ensino para a comunidade escolar ficar por dentro de todas as vantagens que essas soluções trazem. Clique aqui para ler!